Novas regras do Banco Central, PIX e Drex elevam a cibersegurança financeira

Data:

Compartilhar:

A nova fronteira da proteção digital no setor financeiro será provar, com evidências técnicas, que os controles resistem a ataques reais

Por muitos anos, a maturidade em cibersegurança no setor financeiro foi medida pela qualidade das políticas internas e processos de compliance. Esse modelo, porém, já não basta. Para Célio Vasconcellos, CEO da EONTA Cibersegurança, o cenário atual é outro. “O paradigma mudou. Hoje, o que importa é demonstrar, com evidências técnicas, que os controles realmente funcionam sob ataque”, explica.

Casos internacionais ajudaram a expor essa fragilidade. O roubo de US$ 81 milhões do Bangladesh Bank, em 2016, via infraestrutura SWIFT, e o ataque ao Cosmos Bank, na Índia, mostraram que auditorias baseadas apenas em documentos não detectam comprometimentos reais. No Brasil, o episódio envolvendo a C&M Software, em 2025, que afetou instituições como o Banco BMP, reforçou a mesma lição.

“Empresas homologadas e supervisionadas podem se tornar vetores de ataques de cadeia de suprimentos. Isso impacta diretamente contas reserva e até o Sistema de Pagamentos Brasileiro”, destaca Nilson Vianna, CEO da SmartCyber Soluções em TI.

A regulamentação também evoluiu. A Resolução CMN nº 4.893 e a Resolução BCB nº 85 consolidaram requisitos de segurança cibernética, resposta a incidentes e gestão de serviços tecnológicos e de terceiros. Mais recentemente, o Banco Central aprofundou essa abordagem. A Resolução BCB nº 538 passou a estabelecer controles técnicos específicos para ambientes críticos, incluindo autenticação multifator, segregação dos ambientes PIX e STR (Sistema de Transferência de Reservas), proteção de certificados e chaves privadas e validação da integridade das transações.

Com a expansão do Open Finance, do PIX e, mais recentemente, do Drex, infraestrutura de tokenização baseada em tecnologia de registro distribuído (DLT) e contratos inteligentes, a superfície de ataque se ampliou. “Blockchain não elimina riscos; apenas muda sua natureza. Os alvos agora são ecossistemas inteiros de fintechs, custodiantes, plataformas de tokenização e prestadores de infraestrutura”, esclarece Vasconcellos.

A nova fronteira da cibersegurança financeira

Nesse cenário, a auditoria documental tradicional continua necessária, mas já não é suficiente isoladamente. Cresce a demanda por validações técnicas independentes, capazes de provar que segmentação de redes, controles de acesso privilegiado, autenticação multifator, gestão de vulnerabilidades e testes de intrusão funcionam de fato. “O Brasil começa a se aproximar das práticas do SWIFT CSP, do regulamento europeu DORA e dos frameworks de resiliência cibernética do NIST”, pontua Vianna.

Para os especialistas, o ponto central é separar preparação e asseguração. “Uma fase de Readiness Assessment identifica lacunas e prepara a instituição. Outra, independente, gera evidências técnicas e assegura conformidade de forma isenta. Sem essa distinção, o mercado continua confiante em papéis, e não em controles que resistem a ataques reais”, reforça Célio.

Segundo os especialistas, a solução é clara: a próxima fronteira da cibersegurança financeira não será medida apenas pela existência de políticas, mas pela capacidade de provar que a proteção funciona quando realmente importa. “O desafio não é escrever normas, mas mostrar que elas resistem ao teste da realidade”, finaliza Vianna.

Saiba mais sobre cibersegurança financeira em eonta.net e smartcyber.com.

━ relacionadas

Relacionamentos: por que nossas primeiras experiências influenciam a forma como amamos e nos conectamos

Psicanalista Luz Marina Toledo explica como os vínculos construídos na infância podem influenciar escolhas amorosas, comportamentos e conflitos Os primeiros vínculos afetivos podem deixar marcas...

Seguro de vida resgatável: o produto que transforma proteção em patrimônio

O brasileiro aprendeu a enxergar seguro de vida como despesa que só compensa na pior hipótese. Uma modalidade pouco difundida no país inverte essa lógica: o prêmio tem fim, a reserva é resgatável em vida e existe um ponto em que o valor acumulado ultrapassa tudo o que foi pago. A GX Capital, boutique financeira que estrutura câmbio, crédito e proteção patrimonial, explica o mecanismo

Consignado para servidor municipal: taxas, margem e prazos regionais

Margem consignável, prazos de parcelamento e regras variam por município; saiba como comparar taxas e avaliar as condições com segurança

Fuzileiro Naval Lucas Oliveira conquista certificação internacional com o cão de guerra Quill e lança livro

Título BH inédito da Companhia de Polícia da Ilha das Flores marca lançamento do livro Learned Focus, do condutor Lucas Oliveira Pereira

Santis marca presença no Rio Preto Tech Summit

Com transação já concluída na região, boutique de M&A conhecida pela atuação humanizada aposta na expansão do relacionamento com empresas de tecnologia no interior paulista