O fim do dashboard: por que conselhos de administração começam a trocar relatórios por inteligência que age

Data:

Compartilhar:

Depois de dois anos de construção longe dos holofotes, a Grand Thera abre ao mercado a nova geração do TheraOS, plataforma de “Decision-Grade AI” que monitora posições financeiras em tempo real e antecipa riscos antes que eles virem prejuízo. A tese da deeptech é direta: o problema das empresas nunca foi falta de dados, foi falta de tempo de reação

O paradoxo da abundância

As empresas brasileiras passaram as últimas duas décadas digitalizando suas operações. O resultado é um paradoxo conhecido de qualquer executivo: nunca houve tanto dado disponível, e nunca foi tão difícil transformá-lo em decisão. ERPs, CRMs, sistemas de chão de fábrica e planilhas contábeis convivem em silos que não conversam entre si. O business intelligence tradicional respondeu a esse cenário com dashboards: painéis que organizam o passado em gráficos elegantes, mas que continuam dependendo de um humano para interpretar, decidir e agir.

Para decisões operacionais do dia a dia, isso basta. Para decisões de alto risco, que envolvem posições financeiras, cadeias de suprimento e exposição a choques de mercado, o modelo chegou ao limite. “A operação ao redor de uma planta industrial moderna e de grande porte pode chegar a produzir mais de um terabyte de dados a cada poucas horas. O problema não é volume, é o que se faz com ele antes que o risco vire prejuízo”, resume Fernando Negrini, CEO da Grand Thera Technologies.

Segurança, não tecnologia

É nesse ponto que a Grand Thera construiu seu posicionamento, e ele soa quase contraintuitivo para uma deeptech: a empresa não se apresenta como fornecedora de tecnologia. “Não vendemos tecnologia. Vendemos segurança para tomar uma decisão de alto risco”, afirma Negrini. O cliente típico da companhia não é o time de TI, mas a camada mais alta da governança: conselhos de administração, conselheiros independentes e CFOs de operações enterprise.

A lógica é a de fechar a lacuna entre dados operacionais e dados contábeis, permitindo que quem governa a empresa enxergue o risco no momento em que ele se forma, e não no fechamento do trimestre. “O que os conselhos compram é a capacidade de antecipar o risco antes que ele vire prejuízo financeiro. É isso que muda a conversa na sala do conselho”, diz o executivo.

A stack Decision-Grade AI

A resposta técnica da Grand Thera a essa promessa é o que a empresa chama de Decision-Grade AI, uma stack composta por três camadas. A primeira é o TheraOS, que consolida as fontes de dados fragmentadas do cliente em um data lake tratado, auditável e visual: pipelines que antes exigiam projetos de engenharia de meses viram operações de arrastar e soltar, e cada transformação de dado fica rastreável de ponta a ponta. É essa rastreabilidade que sustenta uma das garantias centrais da plataforma: as respostas não alucinam, porque todo o caminho do dado até a conclusão pode ser inspecionado.

Junto ao TheraOS há um componente chamado “Advisor”, uma interface de conversa que permite ao decisor interrogar a própria operação em linguagem natural, do fluxo de dados de um indicador específico até a origem de uma anomalia.

A segunda camada são os AITs, algoritmos autônomos que monitoram métricas de risco em tempo real e agem sobre elas, realizando análises preditivas e prescritivas. Um detalhe importante da arquitetura: quem executa as decisões críticas não são modelos de linguagem, e sim métodos quantitativos, com limites de risco definidos e monitorados continuamente. A IA generativa conversa; quem decide é a matemática. 

A terceira camada é um orquestrador que coordena e retroalimenta a ação dos diferentes algoritmos.

Dois anos em silêncio

A nova geração da plataforma, que a empresa começa a apresentar ao mercado agora, transforma os dashboards tradicionais em um centro de comando: em vez de painéis estáticos, uma central que mostra quanto prejuízo o sistema já evitou, onde estão os pontos sensíveis da operação e que ações o Advisor propõe em cada um deles. “Ficamos dois anos construindo, validando a tecnologia em operações reais e recusando ofertas pelo caminho que nos tirassem do foco. Todo esse movimento foi para garantir o funcionamento no nível que o mercado enterprise exige”, conta Negrini.

O período de construção silenciosa produziu também um marco de velocidade que a empresa passou a usar como cartão de visita: em um projeto recente no mercado de ativos digitais, a Grand Thera entregou em seis meses uma infraestrutura originalmente estimada em dois anos de desenvolvimento, cobrindo da análise de contágio de riscos sistêmicos entre diferentes ativos digitais ao onboarding automatizado e à recomendação de produtos para os novos clientes da plataforma, por meio de IA.

Timing como produto

O apetite por esse tipo de solução cresce na mesma velocidade em que cresce a instabilidade dos mercados. Contratos com taxas contábeis pressionadas por tensões geopolíticas, cadeias de suprimento sujeitas a choques em cascata e posições de tesouraria expostas a ativos voláteis compõem o cenário em que os conselhos passaram a operar. Nesse contexto, a precisão decimal de uma projeção importa menos do que a velocidade com que a organização reage a ela.

“O decisor não está comprando o número na vírgula de uma projeção financeira. A controladoria fecha o número exato depois. O que ele está comprando é tempo de ação, o timing entre o sinal de risco e a possibilidade de resposta, antes que o sinal se materialize em impacto financeiro. Essa é a parte mais sensível”, conclui Negrini. Se a primeira era da transformação digital foi sobre coletar dados e a segunda sobre visualizá-los, a aposta da Grand Thera é que a terceira será sobre algo mais simples de enunciar e mais difícil de entregar: agir sobre eles a tempo.

━ relacionadas

Da cadeira à gestão: como a tecnologia forma donos de salão empreendedores

Profissionalização impulsionada por plataformas digitais de gestão redefine o papel de quem toca um salão, uma barbearia ou uma clínica de estética no Brasil.

Dra. Laline Fortes explica quantas vezes uma criança pode adoecer por ano

Pediatra explica que crianças saudáveis podem apresentar diversas infecções ao longo do ano e destaca os sinais que exigem atenção dos pais

Lia Sangali transforma moda para viagens à neve em negócio pioneiro

Fundadora da Skill to Dress, empresária capixaba criou um negócio pioneiro ao identificar a falta de opções de locação de roupas premium para brasileiros que viajam para destinos de neve

Missão internacional da Portohaus gera mais de US$10 milhões em negócios

Após mais de 50 reuniões em Miami, Orlando e Nova York, incorporadora catarinense amplia conexões internacionais, acelera novos negócios e prepara expansão para além da incorporação imobiliária

Sophia Martins é indicada ao Bold Woman Award Brasil 2026

Empresária brasileira passa a integrar o seleto grupo de líderes reconhecidas pela Veuve Clicquot, marca francesa que há mais de 250 anos simboliza excelência, inovação e liderança