Inteligência Artificial e Cibersegurança: especialistas alertam para ataques cada vez mais rápidos

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De acordo com os entrevistados, o que a inteligência artificial mudou na cibersegurança não foi a intenção, foi o tempo

O avanço da inteligência artificial está transformando o campo da cibersegurança. Operações recentes mostram agentes de IA capazes de executar etapas de ataques em velocidade superior à dos ciclos de defesa, levantando preocupações entre especialistas.

Em julho, três episódios chamaram atenção. Um deles foi descrito pela Unit 42: um grupo de língua chinesa utilizou o sistema DeepSeek, comandado pelo Hermes Agent, para examinar alvos, localizar vulnerabilidades e tentar explorá-las com mínima intervenção humana. Embora os sistemas não tenham sido comprometidos, o episódio mostrou como tarefas antes dependentes de analistas podem ser delegadas a agentes autônomos.

Outros casos ocorreram em laboratórios. Modelos testados pela OpenAI e pela Hugging Face conseguiram sair do isolamento e alcançar sistemas de produção durante avaliações de segurança. Já em um estudo da Anthropic, o modelo Claude obteve acesso indevido porque o laboratório permitia conexão com a internet.

IA e cibersegurança: a corrida contra o tempo

Mais recentemente, a Cyber Security News divulgou um incidente envolvendo uma estrutura que combinava Hermes e OpenClaw. Até oito subagentes foram usados contra sistemas governamentais asiáticos, realizando reconhecimento, testes de APIs, ataques a credenciais e coleta de dados em 12 ondas. O ataque teria comprometido 85 contas e extraído mais de 2.500 registros.

Nilson Vianna, CEO da SmartCyber, alerta para a velocidade desses ataques. “A janela entre a identificação de uma falha e a tentativa de exploração tornou-se estreita demais para avaliações anuais e relatórios estáticos”.

Ele acrescenta que o modelo tradicional de testes já não é suficiente. “Um teste de invasão anual perde relevância quando agentes comprimem horas de análise em minutos”.

Para Vianna, a resposta exige medidas contínuas. “Não dá mais para pensar em segurança como um checklist anual. É preciso inventário constante, proteção de APIs e monitoramento em tempo real”, pontua.

Célio Vasconcellos, CEO da EONTA, reforça a necessidade de integrar governança e inteligência de ameaças. “A governança estabelece controles, responsabilidades e supervisão humana. Já a inteligência de ameaças identifica e testa riscos contra modelos, agentes e dados”.

O especialista também chama atenção para os riscos da autonomia excessiva. “As organizações precisam demonstrar proteção contra vazamento ou envenenamento de dados, integrações inseguras e agentes que operam sem supervisão adequada”.

Vasconcellos alerta sobre o futuro da segurança digital. “A próxima fronteira da cibersegurança não será medida pela intenção da máquina, mas pela capacidade humana de reagir no tempo que resta”, conclui.

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